terça-feira, 1 de outubro de 2013

HOMÍLIA PAPA FRANCISCO - OUTUBRO

HOMÍLIA PAPA FRANCISCO - OUTUBRO

Papa concelebra com cardeais consultores: que a Igreja possa dar um belo testemunho
HOMÍLIA PAPA FRANCISCO 

HOMÍLIA PAPA FRANCISCO - OUTUBRO
MISSA DA CASA SANTA MARTA
TERÇA-FEIRA, 01 DE OUTUBRO
MISSA COM OS CARDEAIS QUE AUXILIARÃO O PAPA NO GOVERNO DA IGREJA
Da Redação, com Rádio Vaticano
Papa Francisco celebrou a Missa nesta terça-feira, 1º, na Casa Santa com os purpurados do Conselho de Cardeais que se reúnem com o Papa no Vaticano de hoje, 1º até 3 de outubro. Na homilia, o Pontífice desejou que estas reuniões possam torná-los mais humildes e confiantes em Deus, a fim de que a Igreja possa dar um belo testemunho ao povo.

Francisco desenvolveu sua homilia a partir do Evangelho do dia, que narra a repreensão de Jesus aos apóstolos que queriam que descesse fogo do céu para aqueles que não O aceitassem. O caminho do cristão não é um caminho de vingança, mas sim de humildade e brandura. E a força que leva a estas atitudes é o amor.

“Propriamente no amor, na caridade, na consciência de que estamos nas mãos do Pai. Quando se sente isso, não vem o desejo de descer fogo do céu, vem outro espírito, aquele da caridade que tudo sofre, tudo perdoa, que não se vangloria, que é humilde, que não procura a si mesmo”.

O Papa recordou então o que já dizia o Papa Emérito Bento XVI, que a Igreja não cresce por proselitismo, mas sim por atração, por testemunho. E quando o povo vê este testemunho de humildade, tem a vontade de seguir adiante com Cristo, com a Igreja.

“É simples a caridade: adorar a Deus e servir aos outros! E este testemunho faz crescer a Igreja”, recordando o exemplo de humildade e caridade de Santa Teresa do Menino Jesus, celebrada pela Igreja hoje.

As reuniões que se iniciam hoje no Vaticano com o conselho de cardeais formado pelo Papa e os cardeais encarregados de ajudá-lo no governo da Igreja.

“Peçamos ao Senhor que o nosso trabalho de hoje nos faça todos mais humildes, mais brandos, mais pacientes, mais confiantes em Deus, para que a Igreja possa dar um belo testemunho ao povo que, vendo o Povo de Deus, vendo a Igreja, sinta a necessidade de vir conosco!”.





HOMÍLIA PAPA FRANCISCO 
MISSA DA CASA SANTA MARTA
QUINTA-FEIRA, 03 DE OUTUBRO DE 2013
MISSA NÃO É EVENTO SOCIAL, MAS PRESENÇA DE DEUS.
MISSA COM OS CARDEAIS, MEMBROS DO CONSELHO DE CARDEAIS
A Santa Missa não é um evento social, mas a presença do Senhor. Não se pode transformar a memória da salvação em uma recordação, em um “evento habitual”.
O Povo de Deus tinha a memória da Lei, mas era uma memória distante. Naqueles dias, em vez disso, a memória se fez próxima e esse mesmo povo se emocionou porque tinha tido a experiência da proximidade da salvação. (NEEMIAS)
“E isso é importante não somente nos grandes momentos históricos, mas nos momentos da nossa vida: todos temos a memória da salvação, todos. (…) E quando a memória não está próxima, quando não temos esta experiência de proximidade da memória, esta entra em um processo de transformação, e a memória se transforma uma simples recordação”.
A memória da salvação se faz próxima, ela aquece o coração e dá alegria. Esse encontro com a memória é um evento de salvação, é um encontro com o amor de Deus. E quando Deus se aproxima, sempre há festa.
Os cristãos têm medo da festa; a vida os acaba levando a afastarem-se desta proximidade, mantendo somente uma lembrança da salvação, e não a memória viva.
“É triste, mas a Missa, muitas vezes, se transforma em um evento social e não ficamos próximos à memória da Igreja, que é a presença do Senhor diante de nós. (…) Peçamos ao Senhor a graça de ter sempre a Sua memória próxima a nós, uma memória próxima e não domesticada pelo hábito, por tantas coisas, e distante como uma simples recordação”.

HOMÍLIA PAPA FRANCISCO 
VISITA PASTORAL A ASSIS
MISSA NA PRAÇA SÃO FRANCISCO DE ASSIS
QUINTA-FEIRA, 04 DE OUTUBRO DE 2013
" EU TE BENDIGO, PAI, SENHOR DO CÉU E DA TERRA, PORQUE ESCONDESTES ESTAS COISAS AOS SÁBIOS E ENTENDIDOS E AS REVELASTE AOS PEQUENOS"( MATEUS 11,25)
Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal


Paz e bem a todos! Com esta saudação franciscana agradeço-vos por terem vindo aqui, nesta praça, cheia de história e de fé, para rezarem juntos.

Hoje também eu, como tantos peregrinos, vim aqui para bendizer o Pai por tudo aquilo que quis revelar a cada um destes “pequenos” de que fala o Evangelho: Francisco, filho de um rico comerciante de Assis. O encontro com Jesus o levou a despojar-se de uma vida confortável e despreocupada para casar-se com a “Mãe Pobreza” e viver como verdadeiro filho do Pai que está nos céus. Esta escolha, por parte de São Francisco, representava um modo radical de imitar Cristo, de revestir-se Daquele que, rico que era, fez-se pobre para enriquecer-nos por meio da sua pobreza (cfr Cor 8, 9). Em toda a vida de Francisco, o amor pelos pobres e a imitação de Cristo pobre são dois elementos unidos de modo indissociável, as duas faces de uma mesma moeda.

O que testemunha São Francisco a nós, hoje? O que nos diz, não com as palavras – isto é fácil – mas com a vida?

1. A primeira coisa que nos diz, a realidade fundamental que nos testemunha é esta: ser cristãos é uma relação vital com a Pessoa de Jesus, é revestir-se Dele, é assimilação a Ele.

De onde parte o caminho de Francisco rumo a Cristo? Parte do olhar de Jesus na cruz. Deixar-se olhar por Ele no momento em que doa a vida por nós e nos atrai para Ele. Francisco fez esta experiência de modo particular na pequena Igreja de São Damião, rezando diante do crucifixo, que também eu pude venerar hoje. Naquele crucifixo, Jesus não aparece morto, mas vivo! O sangue escorre das feridas das mãos, dos pés e dos lados, mas aquele sangue exprime vida. Jesus não tem os olhos fechados, mas abertos, grandes: um olhar que fala ao coração. E o crucifixo não nos fala de derrota, de fracasso; paradoxalmente nos fala de uma morte que é vida, que gera vida, porque fala de amor, porque é Amor de Deus encarnado, e o Amor não morre, antes, vence o mal e a morte. Quem se deixa olhar por Jesus crucificado é re-criado, transforma-se uma “nova criatura”. Daqui parte tudo: é a experiência da Graça que transforma, o ser amado sem mérito, mesmo sendo pecadores. Por isto Francisco pode dizer, como São Paulo: “Quanto a mim, não pretendo, jamais, gloriar-me, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo” (Gal 6,14).

Nós nos dirigimos a ti, Francisco, e te pedimos: ensina-nos a permanecer diante do Crucifixo, a deixar-nos guiar por Ele, a deixar-nos perdoar, recriar pelo seu amor.

2. No Evangelho, escutamos estas palavras: “Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração” (Mt 11, 28-29).

Esta é a segunda coisa que Francisco nos testemunha: quem segue Jesus, recebe a verdadeira paz, aquela que só Ele, e não o mundo, pode nos dar. São Francisco é associado por muitos à paz, e é justo, mas poucos seguem em profundidade. Qual é a paz que Francisco acolheu e viveu e nos transmite? Aquela de Cristo, passada através do amor maior, aquela da Cruz. É a paz que Jesus Ressuscitado deu aos discípulos quando apareceu em meio a eles (cfr Jo 20, 19.20).

A paz franciscana não é um sentimento “piegas”. Por favor: este São Francisco não existe! E nem é uma espécie de harmonia panteísta com as energias do cosmo… Também isto não é franciscano! Também isto não é franciscano, mas é uma ideia que alguns construíram! A paz de São Francisco é aquela de Cristo, e a encontra quem “toma sobre si o seu jugo”, isso é, o seu mandamento: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei (cfr Gv 13,34; 15,12). E este jugo não se pode levar com arrogância, com presunção, com soberba, mas somente se pode levar com mansidão e humildade de coração.

Dirigimo-nos a ti, Francisco, e te pedimos: ensina-nos a sermos “instrumentos da paz”, da paz que tem a sua origem em Deus, a paz que nos trouxe o Senhor Jesus.

3. Francisco inicia o Cântico assim: “Altíssimo, onipotente, bom Senhor… Louvado sejas, com todas as criaturas” (FF, 1820). O amor por toda a criação, pela sua harmonia! O Santo de Assis testemunha o respeito por tudo aquilo que Deus criou e como Ele o criou, sem experimentar sobre a criação para destruí-la; ajudá-la a crescer, a ser mais bela e mais similar àquilo que Deus criou. E, sobretudo, São Francisco testemunha o respeito por tudo, testemunha que o homem é chamado a proteger o homem, que o homem esteja no centro da criação, no lugar onde Deus – o Criador – o quis. Não instrumento dos ídolos que nós criamos! A harmonia e a paz! Francisco foi homem de harmonia, homem de paz. Desta Cidade da Paz, repito com a força e a mansidão do amor: respeitemos a criação, não sejamos instrumentos de destruição! Respeitemos cada ser humano: cessem os conflitos armados que ensanguentam a terra, silenciem-se as armas e então o ódio dê lugar ao amor, a ofensa ao perdão e a discórdia à união. Ouçamos o grito daqueles que choram, sofrem e morrem por causa da violência, do terrorismo ou da guerra, na Terra Santa, tão amada por São Francisco, na Síria, no Oriente Médio, em todo o mundo.

Dirigimo-nos a ti, Francisco, e te pedimos: alcançai-nos de Deus o dom que neste nosso mundo nos seja harmonia, paz e respeito pela Criação!

Não posso esquecer, enfim, que hoje a Itália celebra São Francisco como seu Patrono. Eu dou as felicitações a todos os italianos, na pessoa do Chefe do governo, aqui presente. Exprime-o também o tradicional gesto da oferta do óleo para a lâmpada votiva, que este ano é da Região da Umbria. Rezemos pela nação italiana, para que cada um trabalhe sempre pelo bem comum, olhando para aquilo que une mais do que para aquilo que divide.

Faço minha a oração de São Francisco por Assis, pela Itália, pelo mundo: “Peço-te então, ó Senhor Jesus Cristo, pai das misericórdias, de não querer olhar à nossa ingratidão, mas de recordar-te sempre da superabundante piedade que [nesta cidade] mostraste, a fim de que seja sempre o lugar e a casa daqueles que verdadeiramente te conhecem e glorificam o teu nome bendito e gloriosíssimo nos séculos dos séculos. Amém” (Espelho de perfeição, 124: FF, 1824).




HOMÍLIA PAPA FRANCISCO 
MISSA DA CASA SANTA MARTA
SEGUNDA-FEIRA, 07 DE OUTUBRO DE 2013
PAPA EXORTA FIÉIS A ESCUTAREM A VOZ DE DEUS
“Deixemos que Deus escreva a nossa vida”.
“Jonas serviu o Senhor, rezou muito e fez o bem, mas quando o Senhor o chamou, ele fugiu. Ele tinha a sua história já escrita e não queria ser incomodado. O Senhor o enviou a Nínive e ele tomou um navio para a Espanha, fugindo do Senhor”.
Fugir de Deus 
é uma tentação cotidiana para não sentir sua proposta no coração e ignorar seu convite. O sacerdote que passava pela rua e viu um homem moribundo, jogado no chão. Para não chegar tarde à Missa, o padre continuou seu caminho, sem ouvir a voz de Deus que falava com ele ali.

O levita que também passou e ignorou o homem, temendo que este fosse morto e ele fosse obrigado a testemunhar diante do juiz. “Ele também fugiu da voz de Deus”, Somente teve a capacidade de entender a voz de Deus aquele que fugia constantemente dele: o pecador, o samaritano que mesmo afastado de Deus, ouviu a sua voz e se aproximou.

“O samaritano não era acostumado a práticas religiosas, à vida moral, mas, todavia, ele entendeu que Deus o chamava e não fugiu. Se aproximou, curou suas feridas com óleo e vinho, colocou o homem em seu cavalo, levou-o a seu albergue e cuidou dele. Perdeu toda a sua noite”.

Jonas, o sacerdote e o levita fugiram de Deus porque seus corações estavam fechados, não podiam ouvir sua voz. Ao contrário, um samaritano que passava ‘viu e teve compaixão’: tinha o coração aberto, era humano. Jonas queria escrever a própria história, bem como o sacerdote e o levita. Já o pecador deixou que Deus a escrevesse.

“Agora eu me pergunto e pergunto a vocês: nós deixamos que nossa vida seja escrita por Deus ou queremos nós escrevê-la? Somos dóceis à Palavra de Deus? Temos capacidade para encontrar a Palavra de Deus na história todos os dias, ou não deixamos que a surpresa do Senhor nos fale?”

Peço a todos possam ouvir a voz do Senhor, a Sua voz, que diz “Vá e faça assim!”.



HOMÍLIA PAPA FRANCISCO
MISSA DA CASA SANTA MARTA
TERÇA-FEIRA, 08 DE OUTUBRO DE 2013

REZAR COM O CORAÇÃO ABRE AS PORTAS A DEUS.
O PODER DA ORAÇÃO PODE FAZER MILAGRES, POIS NÃO É FRUTO DE UM GESTO MECÂNICO.
A PARTIR DE UM CORAÇÃO QUE SABE REZAR E SABE PERDOAR  SE CONHECE UM CRISTÃO.

Marta e Jonas não sabiam rezar. O Evangelho narra como Marta pedia a Jesus, em tom de reprovação, que a irmã Maria a ajudasse no serviço em vez de permanecer parada a escutá-Lo.

“ ‘Esta é a melhor parte’, porque Maria escutava o Senhor e rezava com seu coração. E o Senhor nos diz: ‘a primeira tarefa na vida é esta: a oração’. Mas não a oração de palavras, como os papagaios, mas a oração, o coração: olhar o Senhor, escutar o Senhor, pedir ao Senhor. Nós sabemos que a oração faz milagres”.

É um coração que sabe rezar sabe perdoar. E é a partir daí que se vê um bom cristão. Ele disse que a oração que é só uma fórmula, sem coração, bem como o pessimismo ou a vontade de uma justiça sem perdão são tentações, mas um cristão deve sempre escolher “a melhor parte”.

“Quando não rezamos, fechamos as portas ao Senhor para que Ele não possa fazer nada! Ao invés, diante de um problema, de uma situação difícil, de uma calamidade, a oração abre as portas ao Senhor para que Ele venha. Ele refaz as coisas, Ele sabe arranjar as coisas, colocá-las no lugar. Rezar é isso: abrir as portas ao Senhor. Se as fecharmos, Ele não pode fazer nada”.

Francisco concluiu a homilia exortando todos a pensarem em Maria, que escolheu a parte melhor e mostra o caminho para abrir as portas ao Senhor.




HOMÍLIA PAPA FRANCISCO
MISSA DA CASA SANTA MARTA
QUINTA-FEIRA, 10 DE OUTUBRO DE 2013
É PRECISO TER CORAGEM DE BATER À PORTA DE DEUS, REZANDO COM CONFIANÇA.
Da Redação, com Rádio Vaticano

É importante ser corajoso na oração, a fim de descobrir a verdadeira graça que nela é dada: o próprio Deus. No Evangelho do dia, em que Jesus destaca a necessidade de rezar com confiante insistência.

“Como nós rezamos? Rezamos assim, por hábito, piedosamente, mas tranquilos, ou nos colocamos com coragem diante do Senhor para pedir a graça, para pedir aquilo pelo qual rezamos? A coragem na oração: uma oração que não seja corajosa não é uma verdadeira oração. A coragem de ter confiança de que o Senhor nos ouça, a coragem de bater à porta … O Senhor diz: ‘Quem pede, recebe; quem procura, encontra; e quem bate, a porta se abre’. É preciso pedir, procurar e bater”.

Quando se reza corajosamente, o Senhor concede a graça, mas também Ele doa a si mesmo na graça. Jamais o Senhor concede ou envia uma graça “por correio”, mas Ele a concede, Ele é a graça.

O que se pede na verdade é o papel que embrulha a graça, porque a verdadeira graça é Deus, que vem para entregá-la. “A nossa oração, se for corajosa, recebe o que pedimos, mas também o que é mais importante: o Senhor”.

Nos Evangelhos vê-se que alguns recebem a graça e vão embora: dos dez leprosos curados por Jesus, somente um volta para agradecer-Lhe. O cego de Jericó encontra o Senhor na oração e louva a Deus. Mas é preciso rezar com a “coragem da fé”, pedindo também aquilo que a oração não ousa esperar, ou seja, o próprio Deus.

“Não façamos a desfeita de receber a graça e não reconhecer Quem a dá: o Senhor. Que o Senhor nos dê a graça de doar-se a si mesmo, sempre, em toda graça. E que nós O reconheçamos, e que O louvemos como aqueles doentes curados do Evangelho. Porque naquela graça, encontramos o Senhor”





HOMÍLIA PAPA FRANCISCO
MISSA DA CASA SANTA MARTA
QUINTA-FEIRA, 11 DE OUTUBRO DE 2013

NÃO SE PODE SEGUIR JESUS "PELA METADE". 

TEMOS NECESSIDADE DE MANTER O CORAÇÃO VIGILANTE CONTRA OS PERIGOS DO MAL
Da Redação, com Rádio Vaticano

 Temos a necessidade de vigiarmos para nos defendermos do demônio. Não se pode seguir a vitória de Jesus contra o mal “pela metade”, reiterando que não se deve confundir ou relativizar a verdade na luta contra o demônio.
Refletindo sobre o Evangelho do dia, o Papa destacou que sempre há a tentação de querer desmerecer a figura de Jesus como se fosse no máximo um “curandeiro”, que não deve ser levado tão a sério. Este é um comportamento que chegou aos dias de hoje, segundo disse o Papa.


“Há alguns padres que quando leem este trecho do Evangelho, este e outros, dizem: ‘Mas, Jesus curou uma pessoa de doença psíquica’. Não leem isto aqui, né? É verdade que naquele tempo se podia confundir uma epilepsia com a possessão do demônio; mas também é verdade que havia o demônio! E nós não temos o direito de tornar as coisas tão simples, como dizer: ‘Todos estes não estavam possuídos; eram doentes mentais’. Não, a presença do demônio está na primeira página da Bíblia e a Bíblia termina também com a presença do demônio, com a vitória de Deus sobre o demônio”.

O Papa observou então que o Senhor dá alguns critérios para discernir a presença do mal e para seguir no caminho cristão quando há tentações. Um dos critérios é não seguir a vitória de Jesus sobre o mal somente “pela metade”. O outro é a necessidade de vigiar contra o mal.

“Não confundir a verdade. Jesus luta contra o diabo: primeiro critério. Segundo critério: quem não está com Jesus, está contra Jesus. Não há comportamentos pela metade. Terceiro critério: a vigilância sobre o nosso coração, porque o demônio é astuto. Nunca é expulso para sempre. Somente no último dia o será”.


RETRATO DO DISCÍPULO DE JESUS
PAPA FRANCISCO

“Diante dos problemas da vida, os cristãos não devem procurar atalhos, mas confiar sempre em Deus, o Senhor da vida”

“Um cristão sabe como aceitar os fatos".

Não devemos ter medo dos problemas, pois o próprio Jesus disse a seus discípulos: “Sou eu, não tenham medo. Sou eu, sempre. Com as dificuldades da vida, com os problemas, com as coisas novas que temos de lidar. O Senhor está presente. Podemos errar, realmente, mas Ele está sempre perto de nós e nos diz: você errou, retome o caminho certo”.

O fraudar a vida, o maquiar a vida não é um comportamento bom. “A vida é como é. É a realidade. É como Deus quer que seja ou como Deus permite que seja. Devemos aceitá-la e o Espírito do Senhor nos dará a solução para os problemas”.





HOMÍLIA PAPA FRANCISCO
MISSA DA CASA SANTA
SEGUNDA-FEIRA, 14 DE OUTUBRO DE 2013
PARA A SALVAÇÃO NÃO BASTAM OBRAS SEM AMOR MISERICORDIOSO É PRECISO COMBATER A SÍNDROME DE JONAS
Da Redação, com Rádio Vaticano




É preciso combater a “síndrome de Jonas” que leva à hipocrisia de pensar que para salvar-se bastam as obras. A “atitude de religiosidade perfeita”, que olha para a doutrina, mas não cuida da salvação do “povo pobre”.

A homilia do Papa concentrou-se no binômio “síndrome de Jonas” e “sinal de Jonas”. Ele observou que Jesus fala no Evangelho do dia da “geração má”, mas Ele não se refere ao povo que O seguia com amor, e sim aos “doutores da lei”, que procuravam testá-Lo e fazê-Lo cair em armadilhas.

Estas pessoas, de fato, segundo explicou o Papa, pediam sinais e Jesus respondeu que somente lhes seria dado o “sinal de Jonas”. Francisco explicou que Jonas tinha as coisas muito claras para si: “a doutrina é esta e se deve fazer isto, os pecadores que cuidem de si”. Segundo o Papa, Jesus chama de hipócrita quem vive assim, pois não querem a salvação dos pobres, dos pecadores.

“A ‘síndrome de Jonas’ não tem o zelo pela conversão do povo, procura uma santidade – permito-me a palavra – uma santidade de ‘tinturaria’, toda bela, toda bem feita, mas sem aquele zelo de ir pregar o Senhor”.

E diante desta geração doente pela “síndrome de Jonas”, Francisco lembrou que o Senhor promete o sinal de Jonas. “A outra versão, aquela de Mateus, diz: Jonas esteve dentro da baleia por três noites e três dias, referindo-se a Jesus no sepulcro – à sua morte e à sua Ressurreição – e aquele é o sinal que Jesus promete, contra a hipocrisia, contra esta atitude de religiosidade perfeita, contra esta atitude de um grupo de fariseus”.

O Papa citou outra parábola do Evangelho que fala muito bem deste aspecto: a do fariseu e do publicano que rezam no templo. O fariseu estava seguro de si mesmo, agradecendo por não ser como o publicano, que somente pedia a misericórdia de Deus, reconhecendo-se pecador. Eis, então, que o sinal que Jesus promete pelo seu perdão é a sua misericórdia: misericórdia, e não sacrifício.

“O sinal de Jonas, o verdadeiro, é aquele que nos dá a confiança de ser salvos pelo sangue de Cristo. Quantos cristãos, quantos há, pensam que serão salvos somente pelo que fazem, pelas suas obras. As obras são necessárias, mas são uma consequência, uma resposta ao amor misericordioso que nos salva. Mas as obras, sem este amor misericordioso, não servem. Em vez disso, a ‘síndrome de Jonas’ confia somente na sua justiça pessoal, nas suas obras”.

Ao final da homilia, o Papa reforçou que o sinal de Jonas é um chamado – seguir o Senhor – e para todo chamado há uma resposta. “Aproveitemos hoje desta liturgia para perguntarmos a nós mesmos e fazermos uma escolha: o que eu prefiro, a síndrome de Jonas ou o sinal de Jonas?”
HOMÍLIA PAPA FRANCISCO
MISSA DA CASA SANTA

QUINTA-FEIRA, 17 DE OUTUBRO DE 2013
CRISTÃO IDEOLÓGICO É DOENÇA GRAVE, 
POIS TRANSFORMAM A FÉ EM IDEOLOGIA 
E ACABAREM FECHANDO AS PORTAS 
QUE CONDUZEM A DEUS.
Da Redação, com Rádio Vaticano



Se um cristão se torna discípulo da ideologia, perdeu a fé. O Papa advertiu os 
cristãos para uma atitude de “chave no bolso e porta fechada” e reiterou que quando não se reza se abandona a fé e se cai na ideologia e no moralismo, pois a oração é a chave que abre a porta da fé.

“Hoje Jesus nos fala desta imagem de fechamento, é a imagem daqueles cristãos que têm em mãos as chaves, mas a levam embora, não abrem a porta. Antes, pior ainda, param na porta e não deixam entrar e assim fazendo nem eles entram. A falta de testemunho cristão faz isso”, observou o Pontífice.


Isso acontece quando a fé se transforma em ideologia. Jesus não está nas ideologias, que são sempre rígidas. E esta ideologia assusta, afasta as pessoas da Igreja. “É uma doença grave esta dos cristãos ideológicos”.

O que leva os cristãos a se tornarem assim, perdem a fé, é a falta de oração, pois a chave que abre a porta da fé é justamente a oração.

“Quem não reza é um soberbo, um orgulhoso, seguro de si mesmo. Não é humilde. Procura a própria promoção. Ao contrário, quando um cristão reza, não se afasta da fé, fala com Jesus”.

Há uma diferença entre rezar e dizer orações. Quando reza, o cristão fala com Deus de coração para coração. “Peçamos ao Senhor a graça, primeiro: não deixar de rezar, para não perder a fé, permanecer humildes. E assim não nos tornaremos fechados, que fecham o caminho para o Senhor”.

Há uma diferença entre rezar e dizer orações. Quando reza, o cristão fala com Deus de coração para coração.





HOMÍLIA PAPA FRANCISCO
MISSA DA CASA SANTA MARTA
SEXTA-FEIRA, 18 DE OUTUBRO DE 2013
 

NO FIM DA VIDA DE APÓSTOLO, DEUS NUNCA OS ABANDONA.
Da Redação, com Rádio Vaticano




Santo Padre recordou os padres e irmãs no entardecer da vida, esperando que o Senhor “bata à porta de seus corações”A homilia do Papa Francisco centrou-se nas três figuras Moisés, João Batista e São Paulo. Os três nunca foram poupados da angústia, mas Deus nunca os abandonou. Pensando então em tantos padres e irmãs que vivem em casas de repouso, já no “entardecer da vida”, convidou os fiéis a visitá-los porque eles são verdadeiros “santuários de santidade e apostolicidade”.

O início da vida apostólica e o fim da vida do apóstolo Paulo. O Sumo Pontífice partiu das leituras do dia para concentrar-se nestes dois extremos da existência do cristão. No início da vida apostólica, os discípulos eram jovens e fortes e que os demônios se colocavam diante de suas pregações. Já a Primeira Leitura do Dia mostra São Paulo no fim de sua vida.

“O Apóstolo tem um início glorioso, entusiasmado com Deus, não é? Mas também não lhe foi poupada a decadência. E me faz bem pensar no fim do Apóstolo…Vem-me à mente três ícones: Moisés, João Batista e Paulo. Moisés é aquele que é chefe do Povo de Deus, corajoso, lutava contra os inimigos e também lutava com Deus para salvar o povo. Forte! E no fim está sozinho, no Monte Nebo, olhando a Terra Prometida, mas despojado de si para entrar lá. João Batista: nos últimos tempos, não lhe foram poupadas as angústias”.

João Batista teve que enfrentar uma angústia duvidosa que o atormentava e terminou sob o poder de um governante fraco, bêbado e corrupto, sob o poder da inveja de uma adúltera e dos caprichos de uma dançarina. E também o Apóstolo Paulo, na Primeira Leitura, fala daqueles que o abandonaram, mas diz que o Senhor sempre esteve próximo a ele.

“Este é o grande do Apóstolo que, com a sua vida, faz aquilo que João Batista dizia: ‘É necessário que Ele cresça e eu diminua’. O Apóstolo é aquele que dá a vida para que o Senhor cresça”.

E ao pensar no fim da vida do Apóstolo, o Papa recordou-se dos “santuários de apostolicidade e santidade”, que são as casas de repouso dos padres e das irmãs. “Bravos padres, bravas irmãs, envelhecidos, com o peso da solidão, esperando que o Senhor vá bater à porta do seu coração. Estes são verdadeiros santuários de apostolicidade e de santidade que temos na Igreja. Não nos esqueçamos deles, hein!”.

Francisco destacou, por fim, que estes padres e irmãs em casas de repouso esperam o Senhor um pouco como Paulo: um pouco tristes, mas com uma certa paz e alegria. “Fará bem a todos nós pensar nesta etapa da vida que é o fim do Apóstolo e rezar ao Senhor: ‘protege aqueles que est
ão neste momento de despojamento final, para dizer somente outra vez: sim, Senhor, quero segui-Te”.



HOMÍLIA PAPA FRANCISCO
MISSA DA CASA SANTA MARTA
SEGUNDA-FEIRA, 21 DE OUTUBRO DE 2013 

Da Redação, com Rádio Vaticano

PAPA REFLETE SOBRE PROBLEMA DA GANÂNCIA E DEFENDE CAMINHO DA HUMILDADE E AJUDA AO PRÓXIMO.



Na Missa desta segunda-feira, 21, na Casa Santa Marta, o Papa Francisco falou da ganância. E destacou que o apego ao dinheiro destrói pessoas, famílias e as relações com os outros. O convite deixado pelo Santo Padre foi para utilizarmos as riquezas que Deus nos dá em benefício do próximo, ajudando quem tem necessidade.

UM qual um homem pede a Jesus que intervenha a fim de resolver uma questão de herança com seu irmão, o Pontífice refletiu sobre o problema da relação humana com o dinheiro. A primeira consequência do apego ao dinheiro, segundo Francisco, é a destruição de famílias.

“Quando uma pessoa é apegada ao dinheiro, destrói a si mesma, destrói a família! O dinheiro serve para nos trazer tantas coisas boas, tantos trabalhos para desenvolver a humanidade, mas quando o seu coração é assim apegado, isso o destrói”.

O Santo Padre recordou que Jesus conta a parábola do homem rico, que vive para acumular tesouros para si e não se enriquece junto a Deus. E ainda explicou que o alerta que Jesus nos faz é para nos distanciarmos de qualquer ganância.

“A ganância é um instrumento da idolatria, porque vai pelo caminho contrário que Deus fez conosco. São Paulo nos diz que Jesus Cristo, que era rico, fez-se pobre para nos enriquecer. Este é o caminho de Deus: a humildade, o rebaixar-se para servir”.

Por fim, Sua Santidade explicou que o caminho ensinado pelo Senhor não é o da pobreza pela pobreza em si, mas sim o da pobreza como instrumento, para que Deus seja Deus, o único Senhor. E também relembrou que todos os bens que temos nos foram dados por Deus para que façamos o mundo seguir adiante e ajudemos o próximo.

“Permaneça em nossos corações a Palavra do Senhor: ‘Tenham cuidado e se mantenham longe de toda ganância, porque mesmo se uma pessoa está na abundância, a sua vida não depende daquilo que ela possui’”, finalizou.







HOMÍLIA PAPA FRANCISCO
MISSA DA CASA SANTA MARTA

OS CAMINHOS QUE AJUDAM A ENTENDER 
O MISTÉRIO DE DEUS.

 PARA ENTENDER O MISTÉRIO DE DEUS

 HÁ NECESSIDADE DE 
CONTEMPLAÇÃO, PROXIMIDADE E 

ABUNDÂNCIA
TERÇA-FEIRA, 22 DE OUTUBRO DE 2013
Da Redação, com Rádio Vaticano




 A homilia do Papa Francisco nesta terça-feira, 22, na Casa Santa Marta, desenvolveu-se a partir de termos como contemplação, proximidade e abundância para compreender o mistério de Deus. O Santo Padre explicou que não se pode entendê-lo somente com a inteligência e que o grande “desafio” do Pai Celeste é inserir-se na vida humana para curar as chagas do homem, como fez Jesus.

Partindo da Primeira Leitura do dia, ele explicou que quando a Igreja quer dizer algo sobre o mistério de Deus usa somente uma palavra: “maravilhoso”. “Contemplar o mistério sobre nossa salvação, sobre nossa redenção, somente se entende de joelhos, na contemplação. Não somente com a inteligência. Quando a inteligência quer explicar um mistério sempre se torna louca!”.

A proximidade também ajuda a entrar no mistério de Deus. Deus está próximo ao homem, desde o primeiro momento até imergir-se na vida humana através de seu Filho Jesus.

“Pra mim, vem a imagem da enfermeira em um hospital: cura as nossas feridas uma a uma, mas com as suas mãos. Deus se envolve, coloca-se nas nossas misérias, aproxima-se das nossas chagas e as cura com as suas mãos (…) Deus não nos salva somente por um decreto, uma lei; salva-nos com ternura, com carícias, salva-nos com a sua vida, por nós”.

Quanto à terceira palavra – abundância – onde há abundância de pecado há superabundância de graça. Os homens têm os seus pecados, o “desafio” de Deus é vencer isto, curando as chagas, como fez Jesus.

“A graça de Deus sempre vence, porque é Ele mesmo que se doa, que se aproxima, que nos acaricia, que nos cura (…) Este mistério não é fácil de entender, não se entende bem somente com a inteligência. Somente, talvez nos ajudarão estas palavras: contemplação, proximidade e abundância”.


















HOMÍLIA PAPA FRANCISCO
MISSA DA CASA SANTA MARTA
QUINTA-FEIRA, 24 DE OUTUBRO DE 2013
QUE OS CRISTÃOS LEVEM A SÉRIO A PRÓPRIA FÉ.
Francisco centrou sua homilia no antes e depois de
Jesus, lembrando que após Cristo todos são
chamados à santificação.
Da Redação, com Rádio Vaticano

Todos os batizados são chamados a prosseguir no caminho da santificação, uma atitude que deve ser levada a sério. Essas foram palavras do Papa Francisco em Missa celebrada na Casa Santa Marta nesta quinta-feira, 24. O Santo Padre afirmou que sempre na vida há o antes e o depois de Jesus, destacando que Cristo fez no homem uma “segunda criação” que se deve levar adiante com o modo de viver.

Antes e depois de Jesus. Francisco desenvolveu a homilia a partir da passagem da Carta aos Romanos centrada no mistério da redenção humana. Ele observou que o apóstolo Paulo procura explicar isso com a lógica do antes e depois de Cristo, sendo o antes uma “sujeira” enquanto o depois é uma “nova criação”.

“Fomos re-feitos em Cristo! Se antes toda a nossa vida, o nosso corpo, a nossa alma, os nossos hábitos estavam no caminho do pecado, da iniquidade, depois desta re-criação devemos fazer o esforço de caminhar na estrada da justiça, da santificação”.

O Papa recordou então o momento do batismo, em que os pais fazem um ato de fé em Jesus Cristo, uma fé que deve ser reassumida e levada adiante com o modo de vida. O Pontífice reconheceu que muitas vezes há o pecado e as imperfeições, mas o Sacramento da reconciliação pode curar essas feridas de forma que também elas sirvam para o caminho de santificação. “Depois de Cristo estamos no caminho da santificação, mas devemos levá-lo a sério”.

E para seguir nesse caminho com seriedade, o Santo Padre defendeu as obras de justiça, obras simples, como adorar a Deus e fazer o que Jesus aconselha: ajudar o próximo. “Sem esta consciência do antes e depois da qual nos fala Paulo, o nosso cristianismo não serve pra nada! E mais: vai pelo caminho da hipocrisia (…) Peçamos a São Paulo que nos dê a graça de viver como cristãos a sério, crer realmente que fomos santificados pelo sangue de Cristo”.





HOMÍLIA PAPA FRANCISCO

MISSA DA CASA SANTA MARTA
SEXTA-FEIRA, 25 DE OUTUBRO DE 2013

NÃO JUSTIFICAR-SE DIANTE DE DEUS, 
MAS RECONHECER OS PRÓPRIOS PECADOS.
RECONHECER OS PECADOS DIANTE DE DEUS É UMA GRAÇA.
Da Redação, com Rádio Vaticano


A confissão dos pecados feita com humildade é o que a Igreja pede a todos nós.

O Pontífice centrou o seu discurso no sacramento da reconciliação (confissão), encorajando a todos a não esconder os próprios pecados, mas confessá-los com sinceridade.


A partir da Carta de São Paulo aos Romanos – liturgia de hoje – o Papa destaca a coragem do apóstolo em reconhecer publicamente que em sua carne “não habita o bem”, e por isso não faz o bem que gostaria, mas o mal. Francisco ressalta que isso acontece na vida de todo o cristão, e por esse motivo o sacramento da reconciliação é um grande auxílio.

“E esta é a luta dos cristãos. É a nossa luta de todos os dias. E nós nem sempre temos a coragem de falar como Paulo sobre essa luta. Sempre procuramos uma via de justificação. Mas sim, somos todos pecadores”, afirmou o Papa. Ele assegura que se não reconhecemos os nosso pecados, não poderemos alcançar o perdão de Deus.

“Alguns dizem: ‘Ah, eu me confesso com Deus’. Mas assim é fácil é como confessar-se por e-mail. Deus está longe e não há um face a face”, alertou o Papa ao falar sobre a indisposição que muitos católicos têm em procurar um confessor.

Por outro lado, destaca Francisco, alguns dizem confessar-se com facilidade, “mas ao falar de seus pecados o fazem de modo tão distante que seria melhor não ter se confessado”.

Francisco alerta que confessar-se não significa ir a uma consulta com um psiquiatra, e nem ir a uma sala de tortura, é simplesmente dizer ao Senhor: “eu sou pecador”. E a presença de um irmão (sacerdote), diz o Papa, é um modo de ser concreto na confissão.

“Os pequenos têm sabedoria. Quando uma criança se confessa, nunca diz uma coisa geral. ‘Padre, eu fiz isso, eu fiz aquilo à minha tia, para aquele eu disse essa palavra’, e dizem a palavra. São concretos, hein? Eles possuem aquela simplicidade da verdade”, ressalta o Papa. Segundo o Pontífice, os adultos tem a tendência de esconder sempre os próprios pecados.

Ao concluir a homilia, o Papa Francisco destacou que ter vergonha dos próprios pecados diante de Deus é uma graça. “Pensemos em Pedro quando, depois do milagre de Jesus no lago, disse: ‘Mas, Senhor, afasta-te de mim, eu sou pecador’. Ele se envergonha de seus pecados diante da santidade de Jesus Cristo”, explicou o Papa
.


EXAME DE CONSCIÊNCIA
PREPARA-SE BEM PARA A CONFISSÃO.


Para você fazer uma boa confissão é preciso examinar a sua consciência,com a luz do Espírito Santo, com coragem, e nada a esconder do sacerdote, que ali representa o próprio Jesus.



1 :: Amo a Deus mais do que as coisas, as pessoas, os meus programas?

Ou será que eu tenho adorado deuses falsos, como o prazer do sexo, antes ou fora do casamento, o prazer da gula, o orgulho de aparecer, a vaidade de me exibir, de querer ser "o bom", etc.?



2 :: Eu tenho, contra a lei de Deus, buscado poder, conhecimento, riquezas, soluções para meus problemas em coisas proibidas, como: horóscopos, mapa astral, leitura de cartas, búzios, tarôs, pirâmides, cristas, espiritismo, macumba, candomblé, magia negra, invocação dos mortos, leitura das mãos, etc.? Tenho cultivado superstições? Figas, amuletos, duendes, gnomos e coisas parecidas? Procuro ouvir músicas que me influenciam provocando alienação, violência, desejo de sexo, rebeldia e depravação?



3 :: Eu rezo, confio em Deus, procuro a Igreja, participo da Santa Missa nos domingos? Eu me confesso? Comungo?



4 :: Eu leio os evangelhos, a Palavra viva de Jesus, ou será que Ele é um desconhecido para mim?



5 :: Eu respeito, amo e defendo Deus, Nossa Senhora, os Anjos, os Santos, as coisas sagradas, ou será que sou um blasfemador que age como um inimigo de Jesus?



6 :: Eu amo, honro, ajudo os meus pais, ou meus irmãos, a minha família? Ou será que eu sou "um problema a mais" dentro da minha casa? Eu faço os meus pais chorarem? Eu sou um filho que só sabe exigir e exigir? Eu minto e sou fingido com eles?

Vivo o mandamento: "Honrar pai e mãe"?



7 :: Como vai o meu namoro? Faço da minha garota um objeto de prazer para mim? Como um cigarro que eu fumo e jogo a "bita" fora? Ela (e) é uma "pessoa" com a qual quero conviver ou é apenas uma "coisa" para me dar prazer?



8 :: Eu vivo a vida sexual antes do casamento, fora do plano de Deus? Eu peco por pensamentos, palavras atos, quanto a esse assunto: Masturbação, revistas pornográficas, filmes, desfiles eróticos, roupas provocantes? Vivo o homossexualismo?



9 :: Eu respeito meu corpo e a minha saúde que são dons de Deus? Ou será que eu destruo o meu corpo, que é o templo do Espírito Santo, com a prostituição, com as drogas, as aventuras de alto risco, brigas, violências, provocações, etc.?



10 :: Sou honesto? Ou será que tapeio os outros? Engano meus pais? Pego dinheiro escondido deles? Será que eu roubei algo de alguém, mesmo que seja algo sem muito valor? Já devolvi?



11 :: Fiz mal para alguém? Feri alguém por palavras, pensamentos, atitudes, tapas, com armas? Neguei o meu perdão a alguém? Desejei vingança?Tenho ódio de alguém?



12 :: Eu falo mal dos outros? Vivo fofocando, destruindo a honra e o bom nome das pessoas? Sou caluniador e mexeriqueiro? Vivo julgando e condenando aos outros? Sou compassivo, paciente, manso? Sei perdoar, como Jesus manda?



13 :: Sou humilde, simples, prestativo, amigo de verdade?



14 :: Vivo a caridade, sei sofrer para ajudar a quem precisa de mim?

Partilho o que tenho com os irmãos ou sou egoísta?



15 :: Sou desapegado das coisas materiais, do dinheiro?



16 :: Sou guloso, vivo só para comer, ou como para viver?



17 :: Eu bebo sem controle? Deixo que o álcool destrua minha vida e desgrace a minha família?



18 :: Sou preguiçoso? Não trabalho direito? Deixo todas as minhas coisas jogadas e mal-arrumadas, se estragando?



19 :: Sinto raiva de alguém é não perdôo o mal que me fizeram? Desejo vingança contra alguém? Sou maldoso?



20:: Sou invejoso? Ciumento? Vivo desejando o mal para os outros?





Trecho do livro: Jovem, levanta-te


Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com




HOMÍLIA PAPA FRANCISCO
MISSA PELA JORNADA DAS FAMÍLIAS
DOMINGO, 27 DE OUTUBRO DE 2013

PRAÇA SÃO PEDRO - VATICANO
AS CARACTERÍSTICAS FUNDAMENTAIS 
DA FAMÍLIA CRISTÃ.
Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal

As leituras deste domingo nos convidam a meditar sobre algumas características fundamentais da família cristã.

1. A primeira: a família que reza. O trecho do Evangelho coloca em evidência dois modos de rezar, um falso – aquele do fariseu – e outro autêntico – aquele do publicano. O fariseu encarna uma atitude que não exprime a gratidão a Deus pelos seus benefícios e a sua misericórdia, mas sim satisfação de si. O fariseu se sente justo, se sente no lugar, se apoia nisso e julga os outros do alto de seu pedestal. O publicano, ao contrário, não multiplica as palavras. A sua oração é humilde, sóbria, permeada pela consciência de sua própria indignidade, das próprias misérias: este é um homem que realmente se reconhece necessitado do perdão de Deus, da misericórdia de Deus. A oração do publicano é a oração do pobre, é a oração que agrada a Deus, que, como diz a primeira Leitura “chega às nuvens” (Eclo 35, 20), enquanto a do fariseu é sobrecarregada pelo peso da vaidade.

À luz desta Palavra, gostaria de perguntar a vocês, queridas famílias: rezam alguma vez em família? Alguns sim, eu sei. Mas tantos me dizem: como se faz? Mas, se faz como o publicano, é claro: humildemente, diante de Deus. Cada um com humildade se deixa olhar pelo Senhor e pede a sua bondade, que venha a nós. Mas, em família, como se faz? Porque parece que a oração seja algo pessoal e então não há nunca um momento adequado, tranquilo, em família… Sim, é verdade, mas é também questão de humildade, de reconhecer que temos necessidade de Deus, como o publicano! E todas as famílias têm necessidade de Deus: todos, todos! Necessidade da sua ajuda, da sua força, da sua benção, da sua misericórdia, do seu perdão. E é necessário simplicidade: para rezar em família, é necessário simplicidade! Rezar junto o “Pai Nosso”, em torno da mesa, não é algo extraordinário: é algo fácil. E rezar junto o Rosário, em família, é muito bonito, dá tanta força! E também rezar um pelo outro: o marido pela esposa, a esposa pelo marido, ambos pelos filhos, os filhos pelos pais, pelos avós… Rezar um pelo outro. Isto é rezar em família, e isto torna forte a família: a oração.

2. A Segunda Leitura nos sugere um outro ponto: a família conserva a fé.O apóstolo Paulo, no fim de sua vida, faz um balanço fundamental e diz: “Conservei a fé” (2 Tm 4, 7). Mas como a conservou? Não em um cofre! Não a escondeu sob a terra, como aquele servo um pouco preguiçoso. São Paulo compara a sua vida a uma batalha e a uma corrida. Conservou a fé porque não se limitou a defendê-la, mas a anunciou, irradiou-a, levou-a longe. Colocou-se do lado oposto a quem queria conservar, “embalsamar” a mensagem de Cristo nos confins da Palestina. Por isto fez escolhas corajosas, foi a territórios hostis, deixou-se provocar pelos distantes, por culturas diversas, falou francamente sem medo. São Paulo conservou a fé porque, como a havia recebido, doou-a, indo às periferias sem se apegar a posições defensivas.

Também aqui, podemos perguntar: de que modo nós, em família, conservamos a nossa fé? Nós a temos para nós, na nossa família, como um bem privado, como uma conta no banco, ou sabemos partilhá-la com o testemunho, com o acolhimento, com a abertura aos outros? Todos sabemos que as famílias, especialmente as mais jovens, muitas vezes são “apressadas”, muito ocupadas: mas alguma vez já pensaram que esta “corrida” pode ser também a corrida da fé? As famílias cristãs são famílias missionárias. Mas, ontem ouvimos, aqui na Praça, o testemunho de famílias missionárias. São missionárias também na vida de todos os dias, fazendo as coisas de todos os dias, colocando em tudo o sal e o fermento da fé! Conservar a fé na família e colocar o sal e o fermento da fé nas coisas do cotidiano.

3. Um último aspecto recebemos da Palavra de Deus: a família que vive a alegria. No Salmo responsorial encontra-se esta expressão: “os pobres escutem e se alegrem” (33/34, 3). Todo este Salmo é um hino ao Senhor, origem de alegria e de paz. E qual é o motivo deste alegrar-se? É este: o Senhor está próximo, escuta o grito dos humildes e os livra do mal. Escrevia ainda São Paulo: “Alegrai-vos sempre…o Senhor está próximo” (Fil 4, 4-5). É…eu gostaria de fazer uma pergunta hoje. Mas, cada um leve-a ao seu coração, a sua casa, como uma tarefa a fazer, certo? E se responda sozinho. Como está a alegria na sua casa? Como está a alegria na sua família? E dêem vocês a resposta.

Queridas famílias, vocês sabem bem: a verdadeira alegria que se desfruta na família não é algo superficial, não vem das coisas, das circunstâncias favoráveis…A alegria verdadeira vem da harmonia profunda entre as pessoas, que todos sentem no coração, e que nos faz sentir a beleza de estar junto, de apoiar-nos uns aos outros no caminho da vida. Mas na base deste sentimento de alegria profunda está a presença de Deus, a presença de Deus na família, está o seu amor acolhedor, misericordioso, respeitoso para com todos. E, sobretudo, um amor paciente: a paciência é uma virtude de Deus e nos ensina, em família, a ter este amor paciente, um com o outro. Ter paciência entre nós. Amor paciente. Somente Deus sabe criar harmonia das diferenças. Se falta o amor de Deus, também a família perde a harmonia, prevalecem os individualismos e se extingue a alegria. Em vez disso, a família que vive a alegria da fé a comunica espontaneamente, é sal da terra e luz do mundo, é fermento para toda a sociedade.

Queridas famílias, vivam sempre com fé e simplicidade, como a Sagrada Família de Nazaré. A alegria e a paz do Senhor estejam sempre com vocês!








HOMÍLIA PAPA FRANCISCO


MISSA DA CASA SANTA MARTA
SEGUNDA-FEIRA, 28 DE OUTUBRO DE 2013
JESUS REZA POR NÓS MOSTRANDO AS SUAS 
CHAGAS: O PREÇO DA SALVAÇÃO DA 
HUMANIDADE.
Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal


Jesus continua a rezar e a interceder pelo homem, mostrando ao Pai o preço da salvação da humanidade: suas chagas.

No centro da homilia, esteve o trecho do Evangelho no qual Jesus passa a noite rezando ao Pai antes de escolher os doze apóstolos. Cristo “montou seu time”, disse o Papa, e logo depois foi cercado por uma grande multidão que foi escutá-Lo e ser guiada por Ele.

Francisco observou que essas são as três relações de Jesus: com o Pai, com os apóstolos e com o povo. Naquela época, Jesus já rezava ao Pai pelos apóstolos e pelo povo, o que faz também hoje. “É o intercessor, aquele que reza a Deus conosco e diante de nós. Jesus nos salvou, fez esta grande oração, o seu sacrifício, a sua vida, para salvar-nos”, disse.

O Santo Padre lembrou que Jesus se foi e agora reza por todos, mas não é um espírito, e sim uma pessoa como o homem, mas em glória. Jesus tem as chagas em suas mãos, o preço da salvação de todos, e as mostra ao Pai quando reza pela humanidade, como se dissesse: “Pai, que isso não se perca”.

“Ele reza por mim, Ele reza por todos e reza corajosamente porque faz ver ao Pai o preço da nossa justiça: as suas chagas. Pensemos muito nisto e agradeçamos ao Senhor. Agradeçamos por termos um irmão que reza conosco, reza por nós e intercede por nós”.

E na conclusão da homilia, Francisco convidou todos a falarem com Jesus, reconhecendo-O como intercessor e pedindo sua oração por cada um. “E confiar os nossos problemas, a nossa vida, tantas coisas a Ele, para que Ele as leve ao Pai”.





HOMÍLIA PAPA FRANCISCO

TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2013

A ESPERANÇA É A CAPACIDADE DE OLHAR 
COM ÂNIMO E SEGUIR ADIANTE.

A ESPERANÇA CRISTÃ NÃO É OTIMISMO, 
MAS VAI ALÉM.

MISSA NA CASA SANTA MARTA

Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal






Papa fala da esperança cristã e pede fiéis longe do comodismo


re lembrou que esperança cristã não é otimismo, mas vai além disso




A ESPERANÇA É A CAPACIDADE DE OLHAR COM ÂNIMO E SEGUIR ADIANTE.
A esperança cristã não é otimismo, mas uma ardente expectativa pela revelação do Filho de Deus, os cristãos devem se proteger de clericalismos e atitudes cômodas. Isso porque a esperança cristã é dinâmica e doa vida.

Francisco partiu das palavras de São Paulo na Primeira Leitura do dia para destacar a dimensão única da esperança cristã. Ele explicou que a esperança é segura, mas nem sempre é fácil entendê-la, o que pode fazer a pessoa confundir esperança com otimismo.

“A esperança não é um otimismo, não é aquela capacidade de olhar as coisas com bom ânimo e seguir adiante. Não, isso é otimismo, não esperança (…) Podemos dizer que a esperança é uma virtude, como diz São Paulo, ‘de uma ardente expectativa pela revelação do Filho de Deus’. Não é uma ‘ilusão’”.

Nesse sentido ter esperança é justamente essa atitude de tensão para com a revelação, sendo mais que um otimismo.  Os primeiros cristãos, esperança é uma âncora fixa na margem. E hoje o caminho é justamente caminhar para esta âncora.

“A mim vem a pergunta: onde estamos ancorados, cada um de nós? Estamos ancorados às margens daquele oceano distante ou em uma lagoa artificial que nós fizemos, com as nossas regras, os nossos comportamentos, os nossos horários, os nossos clericalismos, as nossas atitudes eclesiais? Estamos ancorados ali, tudo cômodo, seguro? Isto não é esperança”, disse.

Outro ícone que São Paulo dá à esperança é o do parto. Trata-se de uma espera dinâmica, que dá a vida. E embora não se veja a premissa do Espírito Santo, sabe-se que Ele trabalha, como um grão de mostarda, mas cheio de vida. Francisco diferenciou então o viver na esperança do viver como bons cristãos, apenas, e citou o exemplo de Maria.

“Penso em Maria, uma moça jovem, quando, depois que ela sentiu que era mãe mudou o seu comportamento e foi, ajudou e cantou aquele cântico de louvor. Quando uma mãe está grávida é mulher, mas não é nunca (somente) mulher: é mãe. E a esperança tem algo disto. Muda o nosso comportamento: somos nós, mas não somos nós; somos nós, mas procurando lá, ancorados lá”.

Ao final da homilia, o Sumo Pontífice dirigiu-se a um grupo de sacerdotes mexicanos que estavam presentes na Missa em ocasião dos 25 anos de ordenação. “Peçam a Maria, Mãe da Esperança, que os vossos anos sejam de esperança, de viver como padres de esperança, doando esperança”.




HOMÍLIA PAPA FRANCISCOQUINTA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2013
NÃO SE PODE SER CRISTÃO SEM O AMOR DE CRISTO.
MISSA NA PRAÇA DE SÃO PEDRO
Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal



Nestas leituras há duas coisas que nos atingem. Primeiro, a segurança de Paulo: “Ninguém pode afastar-me do amor de Cristo”. Mas tanto amava o Senhor, porque o tinha visto, havia encontrado-o, o Senhor havia mudado a sua vida. Tanto amava-O que dizia que nada poderia afastá-lo Dele. Propriamente este amor do Senhor era o centro, justamente o centro da vida de Paulo. Nas perseguições, nas doenças, nas traições, mas, tudo aquilo que ele viveu, todas as coisas que lhe aconteceram em sua vida, nada disso pôde afastá-lo do amor de Cristo. Era o centro da sua vida, a referência: o amor de Cristo. E sem o amor de Cristo, sem viver deste amor, reconhecê-lo, nutrir-nos deste amor, não se pode ser cristão: o cristão, aquele que se sente olhado pelo Senhor, com aquele olhar tão belo, amado pelo Senhor e amado até o fim. Sente… O cristão sente que a sua vida foi salva pelo sangue de Cristo. E isto faz o amor: esta relação de amor. Isto foi a primeira coisa que me tocou tanto.
A outra coisa que me atinge é esta tristeza de Jesus, quando olha Jerusalém. “Mas tu, Jerusalém, que não entendeu o amor”. Não entendeu a ternura de Deus, com aquela imagem tão bela, que diz Jesus. Não entender o amor de Deus: o contrário daquilo que sentia Paulo.
Mas, sim, Deus me ama, Deus nos ama, mas é algo abstrato, é algo que não me toca o coração e eu me arranjo na vida como posso. Não há fidelidade ali. E o choro do coração de Jesus para Jerusalém é este: ‘Jerusalém, tu não és fiel; tu não te deixaste amar; e tu te confiaste a tantos ídolos, que te prometiam tudo, te diziam dar-te tudo, depois te abandonaram’. O coração de Jesus, o sofrimento do amor de Jesus: um amor não aceito, não recebido.
Estes dois ícones hoje: o de Paulo, que permanece fiel até o fim ao amor de Jesus, de lá encontra a força para seguir adiante, para suportar tudo. Ele se sente frágil, sente-se pecador, mas tem a força naquele amor de Deus, naquele encontro que teve com Jesus Cristo. Por outro lado, a cidade e o povo infiel, não fiel, que não aceita o amor de Jesus, ou, pior ainda, né? Que vive este amor, mas pela metade: um pouco sim, um pouco não, segundo as próprias conveniências. Olhemos para Paulo, com a sua coragem que vem deste amor, e olhemos Jesus que chora sobre aquela cidade, que não é fiel. Olhemos para a fidelidade de Paulo e para a infidelidade de Jerusalém e ao centro olhemos para Jesus, o seu coração, que nos ama tanto. O que podemos fazer? A pergunta: eu me pareço mais com Paulo ou com Jerusalém? O meu amor a Deus é tão forte como o de Paulo ou o meu coração é como o de Jerusalém? O Senhor, por intercessão do Beato João Paulo II, ajude-nos a responder a esta pergunta. Assim seja!

MENSAGEM PAPA FRANCISCO - OUTUBRO

MENSAGEM PAPA FRANCISCO 
FONTE ZENIT


Contínua conversão a Cristo
Em mensagem aos bispos franceses reunidos em plenária a Lourdes, o Papa exorta a realizar com credibilidade com a missão evangelizadora e a cuidar da formação dos futuros sacerdotes
Roma, 07 de Novembro de 2013

Maior cuidado na formação dos futuros sacerdotes e um compromisso mais forte no serviço aos outros, especialmente com aqueles que hoje estão marginalizados. Estas são as diretrizes apontadas pelo Papa Francisco em sua mensagem aos bispos franceses, reunidos em plenária a Lourdes.

No texto dirigido a Dom George Pontier, arcebispo de Marselha e presidente do episcopado francês, o Papa saúda a iniciativa dos bispos de abrir a Assembleia também aos bispos de outros países. Um sinal - escreveu o Santo Padre - que identifica "a ligação do exercício colegial de vosso ministério episcopal em comunhão com o Bispo de Roma”.

O Papa encoraja os bispos franceses a acompanhar com mais cuidado a formação dos jovens que se preparam para o sacerdócio, para que "sejam profundamente enraizados em Cristo e próxima das pessoas que foram a eles confiadas”. Por fim, recorda a tradição missionária da Igreja da França, e exorta: "vossas comunidades diocesanas estejam em um estado de contínua conversão a Cristo, para assim realizar a missão evangelizadora de uma forma credível”.







MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO

PARA
CONFERÊNCIA FILIPINA SOBRE  
A NOVA EVANGELIZAÇÃO
DOMINGO 12 DE SETEMBRO DE 2013
PEDINDO ESFORÇO PARA TORNAR 
JESUS CONHECIDO EM TODOS OS 
LUGARES.
TRADUTORA: JÉSSICA MARÇAL
FONTE : CANÇÃO NOVA








CATEQUESE PAPA FRANCISCO - OUTUBRO * NOVEMBRO * DEZEMBRO

CATEQUESE PAPA FRANCISCO - OUTUBRO

20 PAPA FRANCISCO CATEQUESE MODELO



Catequese com o Papa Francisco- 02/10/2013
CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 2 de outubro de 2013



CATEQUESE PARA FRANCISCO

PRAÇA SÃO PEDRO  VATICANO
QUARTA-FEIRA, 2 DE OUTUBRO DE 2013
Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

No “Credo”, depois de ter professado “Creio na Igreja una”, acrescentamos o adjetivo “santa”; afirmamos, isto é, a santidade da Igreja e esta é uma característica que já esteve presente desde o início na consciência dos primeiros cristãos, os quais se chamavam simplesmente “os santos” (cfr At 9, 13. 32. 41; Rm 8, 27; 1 Cor 6, 1), porque tinham a certeza de que a ação de Deus, o Espírito Santo que santifica a Igreja.

Mas em que sentido a Igreja é santa se vemos que a Igreja histórica, em seu caminho ao longo dos séculos, teve tantas dificuldades, problemas, momentos sombrios? Como pode ser santa uma Igreja feita de seres humanos, de pecadores? Homens pecadores, mulheres pecadoras, sacerdotes pecadores, irmãs pecadoras, bispos pecadores, cardeais pecadores, Papa pecador? Todos. Como pode ser santa uma Igreja assim?

Para responder à pergunta gostaria de guiar-me por um trecho da Carta de São Paulo aos cristãos de Éfeso. O apóstolo, tomando como exemplo as relações familiares, afirma que “Cristo amou a Igreja e doou a si mesmo por ela, para torná-la santa” (5, 25-26). Cristo amou a Igreja, doando todo a si mesmo na cruz. E isto significa que a Igreja é santa porque procede de Deus que é santo, lhe é fiel e não a abandona em poder da morte e do mal (cfr Mt 16, 18). É santa por que Jesus Cristo, o Santo de Deus (cfr Mc 1, 24), está unido de forma indissolúvel a esta (cfr Mt 28, 20); é santa porque é guiada pelo Espírito Santo que purifica, transforma, renova. Não é santa pelos nossos méritos, mas porque Deus a torna santa, é fruto do Espírito Santo e dos seus dons. Não somos nós a fazê-la santa: é Deus, é o Espírito Santo, que no seu amor, faz santa a Igreja!

2. Vocês poderiam dizer-me: mas a Igreja é formada por pecadores, vemos isso todos os dias. E isto é verdade: somos uma Igreja de pecadores; e nós pecadores somos chamados a deixar-nos transformar, renovar, santificar por Deus. Houve na história a tentação de alguns que afirmavam: a Igreja é somente a Igreja dos puros, daqueles que são totalmente coerentes e os outros seguem afastados. Isto não é verdade! Isto é uma heresia! A Igreja, que é santa, não rejeita os pecadores; não rejeita todos nós; não rejeita porque chama todos, acolhe-os, está aberta também aos mais distantes, chama todos a deixar-se envolver pela misericórdia, pela ternura e pelo perdão do Pai, que oferece a todos a possibilidade de encontrá-Lo, de caminhar rumo à santidade. “Mas, padre, eu sou um pecador, tenho grandes pecados, como posso sentir-me parte da Igreja?”. Querido irmão, querida irmã, é propriamente isto que deseja o Senhor; que você lhe diga: “Senhor, estou aqui, com os meus pecados”. Alguém de vocês está aqui sem os próprios pecados? Alguém de vocês? Ninguém, nenhum de nós. Todos levamos conosco os nosso pecados. Mas o Senhor quer ouvir que lhe digamos: “Perdoa-me, ajuda-me a caminhar, transforma o meu coração!”. E o Senhor pode transformar o coração. Na Igreja, o Deus que encontramos não é um juiz implacável, mas é como o Pai da parábola evangélica. Você pode ser como o filho que deixou a casa, que tocou o fundo do distanciamento de Deus. Quando tens a força de dizer: quero voltar pra casa, encontrarás a porta aberta, Deus vem ao seu encontro porque te espera sempre, Deus te espera sempre. Deus te abraça, te beija e faz festa. Assim é o Senhor, assim é a ternura do nosso Pai celeste. O Senhor nos quer parte de uma Igreja que sabe abrir os braços para acolher todos, que não é a casa de poucos, mas a casa de todos, onde todos podem ser renovados, transformados, santificados pelo seu amor, os mais fortes e os mais frágeis, os pecadores, os indiferentes, aqueles que se sentem desencorajados e perdidos. A Igreja oferece a todos a possibilidade de percorrer o caminho da santidade, que é o caminho do cristão: faz-nos encontrar Jesus Cristo nos Sacramentos, especialmente na Confissão e na Eucaristia; comunica-nos a Palavra de Deus, faz-nos viver na caridade, no amor de Deus para com todos. Perguntemo-nos então: deixamo-nos santificar? Somos uma Igreja que chama e acolhe de braços abertos os pecadores, que dá coragem, esperança, ou somos uma Igreja fechada em si mesma? Somos uma Igreja na qual se vive o amor de Deus, na qual se tem atenção para com o outro, na qual se reza uns pelos outros?

3. Uma última pergunta: o que posso fazer eu que me sinto indefeso, frágil, pecador? Deus te diz: não ter medo da santidade, não ter medo de sonhar alto, de deixar-se amar e purificar por Deus, não ter medo de deixar-se guiar pelo Espírito Santo. Deixemo-nos contagiar pela santidade de Deus. Todo cristão é chamado à santidade (cfr Const. Dogm. Lumen gentium, 39-42); e a santidade não consiste antes de tudo em fazer coisas extraordinárias, mas no deixar Deus agir. É o encontro da nossa fraqueza com a força da Sua graça, é ter confiança em Sua ação que nos permite viver na caridade, fazer tudo com alegria e humildade, para a glória de Deus e no serviço ao próximo. Há uma célebre frase do escritor francês Léon Bloy; nos últimos momentos da sua vida dizia: “Há uma só tristeza na vida, aquela de não ser santos”. Não percamos a esperança na santidade, percorramos todos este caminho. Queremos ser santos? O Senhor espera todos nós, com os braços abertos; espera-nos para nos acompanhar neste caminho de santidade. Vivamos com alegria a nossa fé, deixemo-nos amar pelo Senhor… peçamos este dom a Deus na oração, por nós e pelos outros.



Sacramentos são as janelas abertas através das quais nos é dada a luz de Deus, dos córregos nos quais traçamos a própria vida de Deus; na Igreja aprendemos a viver a comunhão, o amor que vem de Deus. 

IGREJA NÃO É GRUPO DE ELITE.

 A Igreja é católica porque é o espaço, a casa na qual vem anunciada toda a fé, por inteiro, na qual a salvação que nos trouxe Jesus é oferecida a todos.

Na Igreja, cada um de nós encontra 
o que é necessário para crer, 
para viver como cristãos, 
para tornar-se santo, 
para caminhar em todo lugar 
e em todo tempo.
a Igreja é católica porque
 é universal, 
está espalhada em toda parte 
do mundo 
e anuncia o Evangelho 
a todo homem e a toda mulher. 

A Igreja é como uma grande orquestra 
na qual há variedade. 
Não somos todos iguais 
e não devemos ser 
todos iguais. 
Todos somos diversos, 
diferentes, 
cada um com 
as próprias qualidades.

A Igreja é como uma grande
 orquestra na qual há variedade. 
Não somos todos iguais 
e não devemos ser 
todos iguais. 
Todos somos diversos, diferentes, 
cada um com as próprias qualidades. 
E este é o bonito da Igreja: 
cada um leva o seu, aquilo 
que Deus lhe deu, 
para enriquecer os outros. 
E entre os componentes há esta diversidade, mas é uma diversidade que não entra em conflito, não se contrapõe; é uma variedade que se deixa unir em harmonia pelo Espírito Santo; é Ele o verdadeiro “Mestre”, Ele mesmo está em harmonia.

 A Igreja não está só na sombra do nosso campanário, mas abraça uma imensidão de pessoas, de povos que professam a mesma fé, alimentam-se da mesma Eucaristia, são servidas pelos mesmos Pastores.




CATEQUESE PARA FRANCISCO
PRAÇA SÃO PEDRO  VATICANO
QUARTA-FEIRA, 2 DE OUTUBRO DE 2013
Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal

OS TRÊS SIGNIFICADOS FUNDAMENTAIS PARA O ASPECTO CATÓLICO DA IGREJA

Queridos irmãos e irmãs, bom dia! Vê-se que hoje, com esta bruta jornada, vocês são corajosos: parabéns!

“Creio na Igreja una, santa, católica…” Hoje nos concentramos em refletir sobre este aspecto da Igreja: digamos católica, é o Ano da catolicidade. Antes de tudo: o que significa católico? Deriva do grego “kath’olòn” que quer dizer “segundo o tudo”, a totalidade. Em que sentido esta totalidade se aplica à Igreja? Em que sentido nós dizemos que a Igreja é católica? Em diria que em três significados fundamentais.

1. O primeiro. A Igreja é católica porque é o espaço, a casa na qual vem anunciada toda a fé, por inteiro, na qual a salvação que nos trouxe Jesus é oferecida a todos. A Igreja nos faz encontrar a misericórdia de Deus que nos transforma porque nessa está presente Jesus Cristo, que lhe doa a verdadeira confissão de fé, a plenitude da vida sacramental, a autenticidade do ministério ordenado. Na Igreja, cada um de nós encontra o que é necessário para crer, para viver como cristãos, para tornar-se santo, para caminhar em todo lugar e em todo tempo.

Para dar um exemplo, podemos dizer que é como na vida em família; na família, a cada um de nós é dado tudo aquilo que nos permite crescer, amadurecer, viver. Não se pode crescer sozinho, não se pode caminhar sozinho, isolando-se, mas se caminha e se cresce em uma comunidade, em uma família. E assim é na Igreja! Na Igreja nós podemos escutar a Palavra de Deus, seguros de que é a mensagem que o Senhor nos doou; na Igreja podemos encontrar o Senhor nos Sacramentos que são as janelas abertas através das quais nos é dada a luz de Deus, dos córregos nos quais traçamos a própria vida de Deus; na Igreja aprendemos a viver a comunhão, o amor que vem de Deus. Cada um de nós pode perguntar-se hoje: como eu vivo na Igreja? Quando eu vou à Igreja, é como se eu fosse ao estádio, a uma partida de futebol? É como se eu fosse ao cinema? Não, é outra coisa. Como eu vou à Igreja? Como acolho os dons que a Igreja me oferece para crescer, para amadurecer como cristão? Participo da vida de comunidade ou vou à Igreja e me fecho nos meus problemas isolando-me do outro? Neste primeiro sentido, a Igreja é católica porque é a casa de todos. Todos são filhos da Igreja e todos estão nesta casa.

2. Um segundo significado: a Igreja é católica porque é universal, está espalhada em toda parte do mundo e anuncia o Evangelho a todo homem e a toda mulher. A Igreja não é um grupo de elite, não diz respeito somente a alguns. A Igreja não tem trancas, é enviada à totalidade das pessoas, à totalidade do gênero humano. E a única Igreja está presente também nas menores partes desta. Todo mundo pode dizer: na minha paróquia está presente a Igreja católica, porque também essa é parte da Igreja universal, também essa tem a plenitude dos dons de Cristo, a fé, os Sacramentos, o ministério; está em comunhão com o Bispo, com o Papa e está aberta a todos, sem distinções. A Igreja não está só na sombra do nosso campanário, mas abraça uma imensidão de pessoas, de povos que professam a mesma fé, alimentam-se da mesma Eucaristia, são servidas pelos mesmos Pastores. Sentir-nos em comunhão com todas as Igrejas, com todas as comunidades católicas pequenas ou grandes do mundo! É bonito isto! E depois sentirmos que estamos todos em missão, pequenas ou grandes comunidades, todos devemos abrir as nossas portas e sair pelo Evangelho. Perguntemo-nos então: o que faço eu para comunicar aos outros a alegria de encontrar o Senhor, a alegria de pertencer à Igreja? Anunciar e testemunhar a fé não são tarefas de poucos, diz respeito também a mim, a você, a cada um de nós!

3. Um terceiro e último pensamento: a Igreja é católica porque é a “Casa da harmonia” onde unidade e diversidade combinam-se para ser uma riqueza. Pensemos na imagem da sinfonia, que quer dizer acordo, harmonia, diversos instrumentos tocando juntos; cada um mantém o seu timbre inconfundível e as suas características de som têm algo em comum. Depois tem o guia, o diretor, e na sinfonia que vem apresentada todos tocam juntos em “harmonia”, mas não é cancelado o timbre de algum instrumento: a peculiaridade de cada um, antes, é valorizada ao máximo!

É uma bela imagem que nos diz que a Igreja é como uma grande orquestra na qual há variedade. Não somos todos iguais e não devemos ser todos iguais. Todos somos diversos, diferentes, cada um com as próprias qualidades. E este é o bonito da Igreja: cada um leva o seu, aquilo que Deus lhe deu, para enriquecer os outros. E entre os componentes há esta diversidade, mas é uma diversidade que não entra em conflito, não se contrapõe; é uma variedade que se deixa unir em harmonia pelo Espírito Santo; é Ele o verdadeiro “Mestre”, Ele mesmo está em harmonia. E aqui perguntamo-nos: nas nossas comunidades vivemos a harmonia ou brigamos entre nós? Na minha comunidade paroquial, no meu movimento, onde eu faço parte da Igreja, há fofocas? Se há fofocas, não há harmonia, mas luta. E isto não é Igreja. A Igreja é harmonia de todos: nunca fofocar um contra o outro, nunca brigar! Aceitamos o outro, aceitamos que haja uma certa variedade, que isto seja diferente, que este pensa de um modo ou de outro – mas na mesma fé se pode pensar diferente – ou tendemos a uniformizar tudo? Mas a uniformidade mata a vida. A vida da Igreja é variedade, e quando queremos colocar esta uniformidade sobre todos matamos os dons o Espírito Santo. Rezemos ao Espírito Santo, que é propriamente o autor desta unidade na variedade, desta harmonia, para que nos torne sempre mais “católicos”, isso é, nessa Igreja que é católica e universal! Obrigado.





CATEQUESE PARA FRANCISCO
PRAÇA SÃO PEDRO  VATICANO
QUARTA-FEIRA, 16 DE OUTUBRO DE 2013
Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal
A NATUREZA APOSTÓLICA  E A MISSIONARIEDADE DA IGREJA QUE É ENVIADA PARA ANUNCIAR O EVANGELHO A TODOS.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Quando recitamos o Credo dizemos: “Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica”. Não sei se vocês já refletiram sobre o significado que tem a expressão “a Igreja é apostólica”. Talvez qualquer vez, vindo a Roma, vocês tenham pensado na importância dos Apóstolos Pedro e Paulo que aqui doaram as suas vidas para levar e testemunhar o Evangelho.

Mas é mais que isso. Professar que a Igreja é apostólica significa destacar a ligação constitutiva que essa possui com os Apóstolos, com aquele pequeno grupo de doze homens que Jesus um dia chamou a si, chamou-os pelo nome, para que permanecessem com Ele e para enviá-los a pregar (cfr Mc 3, 13-19). “Apóstolo”, de fato, é uma palavra grega que quer dizer “mandado”, “enviado”. Um apóstolo é uma pessoa que é mandada, é enviada a fazer alguma coisa e os Apóstolos foram escolhidos, chamados e enviados por Jesus para continuar a sua obra, para orar – é o primeiro trabalho de um apóstolo – e, segundo, anunciar o Evangelho. Isso é importante porque quando pensamos nos Apóstolos poderíamos pensar que foram somente anunciar o Evangelho, fazer tantas obras. Mas nos primeiros tempos da Igreja houve um problema porque os Apóstolos deviam fazer tantas coisas e então formaram os diáconos, para que houvesse para os Apóstolos mais tempo para pregar e anunciar a Palavra de Deus. Quando pensamos nos sucessores dos Apóstolos, os Bispos, incluindo o Papa, porque ele também é um bispo, devemos perguntar-nos se este sucessor dos Apóstolos primeiro reza e depois se anuncia o Evangelho: isto é ser Apóstolo e por isto a Igreja é apostólica. Todos nós, se queremos ser apóstolos como explicarei agora, devemos perguntar-nos: eu rezo pela salvação do mundo? Anuncio o Evangelho? Esta é a Igreja apostólica! É uma ligação constitutiva que temos com os Apóstolos.

Partindo propriamente disto gostaria de destacar brevemente três significados do adjetivo “apostólico” aplicado à Igreja.

1. A Igreja é apostólica porque é fundada na pregação e na oração dos Apóstolos, sobre a autoridade que foi dada a eles pelo próprio Cristo. São Paulo escreve aos cristãos de Éfeso: “Sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, tendo por pedra angular o próprio Cristo Jesus” (2, 19-20); compara, isto é, os cristãos a pedras vivas que formam um edifício que é a Igreja, e este edifício é fundado sobre os Apóstolos, como colunas, e a pedra que apoia tudo é o próprio Jesus. Sem Jesus não pode existir a Igreja! Jesus é justamente a base da Igreja, o fundamento! Os Apóstolos viveram com Jesus, escutaram as suas palavras, partilharam a sua vida, sobretudo foram testemunhas da sua Morte e Ressurreição. A nossa fé, a Igreja que Cristo quis, não se baseia em uma ideia, em uma filosofia: baseia-se no próprio Cristo . E a Igreja é como uma planta que ao longo dos séculos cresceu, desenvolveu-se, deu frutos, mas as suas raízes estão bem plantadas Nele e a experiência fundamental de Cristo que tiveram os Apóstolos, escolhidos e enviados por Jesus, chega até nós. Daquela planta pequenina aos nossos dias: assim a Igreja está em todo o mundo.

2. Mas perguntemo-nos: como é possível para nós nos conectarmos com aquele testemunho, como pode chegar até nós aquilo que viveram os Apóstolos com Jesus, aquilo que escutaram Dele? Eis o segundo significado do termo “apostolicidade”. O Catecismo da Igreja Católica afirma que a Igreja é apostólica porque “protege e transmite, com a ajuda do Espírito Santo que nela habita, o ensinamento, o depósito precioso, as salutares palavras ouvidas da boca dos Apóstolos” (n. 857). A Igreja conserva ao longo dos séculos este precioso tesouro que é a Sagrada Escritura, a doutrina, os Sacramentos, o ministério dos Pastores, de forma que possamos ser fiéis a Cristo e participar da sua própria vida. É como um rio que flui na história, desenvolve-se, irriga, mas a água que escorre é sempre aquela que parte da fonte, e a fonte é o próprio Cristo: Ele é o Ressuscitado, Ele é o Vivo, e as suas palavras não passam, porque Ele não passa, Ele está vivo, Ele está entre nós hoje aqui, Ele nos sente e nós falamos com Ele e Ele nos escuta, está no nosso coração. Jesus está conosco hoje! Esta é a beleza da Igreja: a presença de Jesus Cristo entre nós. Sempre pensamos quanto é importante este dom que Jesus nos deu, o dom da Igreja, onde podemos encontrá-Lo? Sempre pensamos em como é justamente a Igreja no seu caminho ao longo dos séculos – apesar das dificuldades, dos problemas, das fraquezas, dos nossos pecados – que nos transmite a autêntica mensagem de Cristo? Doa-nos a segurança de que aquilo em que acreditamos é realmente aquilo que Cristo nos comunicou?

3. O último pensamento: a Igreja é apostólica porque é enviada a levar o Evangelho a todo o mundo. Continua no caminho da história a mesma missão que Cristo confiou aos Apóstolos: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que eu vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28, 19-20). Isto é aquilo que Jesus nos deu para fazer! Insisto neste aspecto da missionariedade, porque Cristo convida todos a “ir” ao encontro dos outros, envia-nos, pede-nos para nos movermos e levar a alegria do Evangelho! Mais uma vez perguntemo-nos: somos missionários com a nossa palavra, mas, sobretudo, com a nossa vida cristã, com o nosso testemunho? Ou somos cristão fechados no nosso coração e nas nossas igrejas, cristãos de sacristia? Cristãos só nas palavras, mas que vivem como pagãos? Devemos fazer-nos estas perguntas, que não são uma repreensão. Também eu digo a mim mesmo: como sou cristão, com o testemunho verdadeiro?

A Igreja tem as suas raízes no ensinamento dos Apóstolos, testemunhas autênticas de Cristo, mas olha para o futuro, tem a firme consciência de ser enviada – enviada por Jesus – a ser missionária, levando o nome de Jesus com a oração, o anúncio e o testemunho. Uma Igreja que se fecha em si mesma e no passado ou uma Igreja que olha somente para as pequenas regras de hábitos, de atitudes é uma Igreja que trai a própria identidade; uma Igreja que trai a própria identidade! Então, redescubramos hoje toda a beleza e a responsabilidade de ser Igreja apostólica! E lembrem-se: Igreja apostólica porque rezamos – primeira tarefa – e porque anunciamos o Evangelho com a nossa vida e com as nossas palavras.





CATEQUESE PARA FRANCISCO
PRAÇA SÃO PEDRO  VATICANO
QUARTA-FEIRA, 23 DE OUTUBRO DE 2013
MARIA: MODELO DE FÉ, CARIDADE E UNIÃO COM CRISTO
Boletim d
.a Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal

 O tema da catequese desta quarta-feira, 23, do Papa Francisco com os fiéis no Vaticano foi dedicado a Maria. Nossa Senhora como imagem e modelo da Igreja, concentrando-se em três de suas características: modelo de fé, de caridade e de união com Cristo.
Maria era uma moça que esperava de todo coração a redenção de seu povo, mas nem ela sabia o desejo de Deus de que ela se tornasse a Mãe do Redentor. E na Anunciação, ela disse o seu “sim”, aceitando o projeto de Deus em sua vida, momento a partir do qual sua fé recebe uma luz nova: Jesus Cristo.
“A fé de Maria é o cumprimento da fé de Israel, nela está justamente concentrado todo aquele caminho, toda aquela estrada daquele povo de fé, que esperava a redenção e neste sentido é o modelo de fé da Igreja, que tem como centro Cristo, encarnação do amor infinito de Deus”.
E toda esta fé foi vivida por Maria na simplicidade das mil ocupações e preocupações cotidianas de toda mãe. O relacionamento entre ela e Deus se desenvolveu justamente nesta existência normal de Nossa Senhora que, como disse o Papa, sempre viveu imersa no mistério de Deus, colocando em prática toda a vontade do Senhor.
Além de ser um modelo de fé, Francisco lembrou Maria como exemplo de caridade. Ele citou o momento da Visitação, quando Maria levou não somente sua ajuda material, mas o próprio Cristo.
“Levar Jesus àquela casa queria dizer levar a alegria plena. Nossa Senhora quer trazer também a nós o grande presente que é Jesus e com Ele nos traz o seu amor, a sua paz, a sua alegria. Assim é a Igreja. A Igreja não é um negócio, uma agência humanitária ou uma ONG, mas enviada a levar Cristo e o seu Evangelho a todos”.
Um último aspecto destacado pelo Papa foi a união de Maria a Cristo, lembrando que todas as suas atividades eram realizadas em perfeita comunhão com Ele. E esta união permaneceu até o fim, até o Calvário.
“Peçamos ao Senhor que nos doe a sua graça, a sua força, a fim de que na nossa vida e na vida de cada comunidade eclesial reflita-se o modelo de Maria, Mãe da Igreja”.





CATEQUESE PARA FRANCISCO
QUARTA-FEIRA, 06 DE NOVEMBRO DE 2013
COMUNHÃO DOS SANTOS
PARA VIVER A VOCAÇÃO CRISTÃ:
SACRAMENTO, CARISMA E CARIDADE.
PRAÇA SÃO PEDRO  VATICANO
BOLETIM DA SANTA SÉ
TRADUÇÃO : JÉSSICA MARÇAL


Roma, 06 de Novembro de 2013

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Quarta-feira passada falei da comunhão dos santos, entendida como comunhão entre as pessoas santas, isso é, entre nós crentes. Hoje gostaria de aprofundar outro aspecto desta realidade: vocês se lembram de que eram dois aspectos: um a comunhão, a unidade entre nós, e o outro aspecto a comunhão nas coisas santas, nos bens espirituais. Os dois aspectos estão intimamente ligados entre si, de fato, a comunhão entre os cristãos cresce mediante a participação nos bens espirituais. Em particular, consideremos: os Sacramentos, os carismas e a caridade (cfr Catecismo da Igreja Católica nn 949-953). Nós crescemos em unidade, em comunhão, com: os Sacramentos, os carismas que cada um tem do Espírito Santo e com a caridade.

Antes de tudo, a comunhão aos sacramentos. Os sacramentos exprimem e realizam uma efetiva e profunda comunhão entre nós, porque neles encontramos Cristo Salvador e, através Dele, os nossos irmãos na fé. Os sacramentos não são aparência, não são ritos, mas são a força de Cristo; é Jesus Cristo presente nos sacramentos. Quando celebramos a Eucaristia é Jesus vivo, que nos une, que nos faz comunidade, que nos faz adorar o Pai. Cada um de nós, de fato, mediante o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia foi incorporado a Cristo e unido a toda a comunidade dos crentes. Portanto, se por um lado é a Igreja que “faz” os sacramentos, por outro são os sacramentos que “fazem” a Igreja, edificam-na, gerando novos filhos, agregando-os ao povo santo de Deus, consolidando a sua pertença.

Todo encontro com Cristo, que nos sacramentos nos dá a salvação, convida-nos a “ir” e comunicar aos outros uma salvação que pudemos ver, tocar, encontrar, acolher, e que é realmente credível porque é amor. Deste modo, os sacramentos nos impelem a ser missionários, e o empenho apostólico de levar o Evangelho a todo ambiente, mesmo naqueles mais hostis, constitui o fruto mais autêntico de uma assídua vida sacramental, enquanto é participação na iniciativa salvífica de Deus, que quer dar a todos a salvação. A graça dos sacramentos alimenta em nós uma fé forte e alegre, uma fé que sabe admirar as “maravilhas” de Deus e sabe resistir aos ídolos do mundo. Por isto é importante comungar, é importante que as crianças sejam batizadas cedo, que sejam crismadas, porque os sacramentos são a presença de Jesus Cristo em nós, uma presença que nos ajuda. É importante, quando nos sentimos pecadores, aproximar-nos do sacramento da Reconciliação. Alguém poderá dizer: “Mas tenho medo, porque o padre vai me repreender”. Não, não vai te repreender, você sabe quem você vai encontrar no sacramento da Reconciliação? Encontrarás Jesus que te perdoa! É Jesus que nos espera ali; e este é um sacramento que faz crescer toda a Igreja.

Um segundo aspecto da comunhão nas coisas santas é aquele da comunhão dos carismas. O Espírito Santo distribui entre os fiéis uma infinidade de dons e de graças espirituais; esta riqueza, digamos, “fantasiosa” dos dons do Espírito Santo é destinada à edificação da Igreja. Os carismas – palavra um pouco difícil – são os presentes que nos dá o Espírito Santo, habilidades, possibilidades… Presentes dados não para que fiquem escondidos, mas para comunicar aos outros. Não são dados em benefício de quem os recebe, mas para a utilidade do povo de Deus. Se um carisma, em vez disso, um presente desses serve para afirmar a sim mesmo, deve-se duvidar que se trate de um autêntico carisma ou que seja fielmente vivido. Os carismas são graças particulares, dadas a alguns para fazer bem a tantos outros. São atitudes, inspirações e estímulos interiores que nascem na consciência e na experiência de determinadas pessoas, as quais são chamadas a colocá-los a serviço da comunidade. Em particular, esses dons espirituais beneficiam a santidade da Igreja e da sua missão. Todos somos chamados a respeitá-los em nós e nos outros, a acolhê-los como estímulos úteis para uma presença e uma obra fecunda da Igreja. São Paulo advertia: “Não extingais o Espírito” (1 Ts 5, 19). Não extingamos o Espírito que nos dá estes presentes, estas habilidades, estas virtudes tão belas que fazem a Igreja crescer.

Qual é o nosso comportamento diante destes dons do Espírito Santo? Somos conscientes de que o Espírito de Deus é livre para dá-los a quem quer? Nós os consideramos como uma ajuda espiritual, através do qual o Senhor apoia a nossa fé e reforça a nossa missão no mundo?

E chegamos ao terceiro aspecto da comunhão nas coisas santas, isso é, a comunhão da caridade, a unidade entre nós que faz a caridade, o amor. Os pagãos, observando os primeiros cristãos, diziam: mas, como se amam, como se querem bem! Não se odeiam, não falam uns contra os outros. Esta é a caridade, o amor de Deus que o Espírito Santo nos coloca no coração. Os carismas são importantes na vida da comunidade cristã, mas são sempre meios para crescer na caridade, no amor, que São Paulo coloca acima dos carismas (cfr 1 Cor 13, 1-13). Sem o amor, na verdade, mesmo os dons mais extraordinários são vãos; este homem cura o povo, tem esta qualidade, esta outra virtude… mas tem amor e caridade no seu coração? Se tem, tudo bem, mas se não tem, não serve à Igreja. Sem o amor todos estes dons e carismas não servem à Igreja, porque onde não há o amor há um vazio que vem preenchido pelo egoísmo. E me pergunto: se todos somos egoístas, podemos viver em comunhão e em paz? Não se pode, por isto é necessário o amor que nos une. O menor dos gestos de amor tem efeito bom para todos! Portanto, viver a unidade na Igreja e a comunhão da caridade significa não buscar o próprio interesse, mas partilhar os sofrimentos e as alegrias dos irmãos (cfr 1 Cor 12, 26), prontos a levar os fardos daqueles mais frágeis e necessitados. Esta solidariedade fraterna não é uma figura retórica, um modo de dizer, mas é parte integrante da comunhão entre os cristãos. Se a vivemos, nós somos no mundo sinal, “sacramento” do amor de Deus. Somos uns pelos outros e somos por todos! Não se trata somente daquela caridade pequena que podemos oferecer ao outro, trata-se de algo mais profundo: é uma comunhão que nos torna capazes de entrar na alegria e na dor dos outros para fazê-las nossas sinceramente.

E muitas vezes somos tão secos, indiferentes, distantes e em vez de transmitir fraternidade, transmitimos mal humor, frieza, egoísmo. E com mal humor, frieza, egoísmo não se pode fazer crescer a Igreja; a Igreja cresce somente com amor que vem do Espírito Santo. O Senhor nos convida a abrir-nos à comunhão com Ele, nos sacramentos, nos carismas e na caridade, para viver de maneira digna da nossa vocação cristã!

E agora me permito pedir a vocês um ato de caridade: fiquem tranquilos que não se fará coleta! Antes de vir aqui na praça fui encontrar uma menina de um ano e meio com uma doença gravíssima. Seu pai e sua mãe rezam e pedem ao Senhor a saúde desta bela criança. Chama-se Noemi. Sorria, pobrezinha! Façamos um ato de amor. Não a conhecemos, mas é uma menina batizada, é uma de nós, é uma cristã. Façamos um ato de amor por ela e em silêncio peçamos que o Senhor a ajude neste momento e lhe dê saúde. Em silêncio um momento e depois rezemos a Ave Maria. E agora todos juntos rezemos à Nossa Senhora pela saúde de Noemi. Ave Maria… Obrigado por este ato de caridade.


CATEQUESE PARA FRANCISCO
QUARTA-FEIRA, 13 DE NOVEMBRO DE 2013
COMUNHÃO DOS SANTOS
PARA VIVER A VOCAÇÃO CRISTÃ:
SACRAMENTO, CARISMA E CARIDADE.
PRAÇA SÃO PEDRO  VATICANO
BOLETIM DA SANTA SÉ
TRADUÇÃO : JÉSSICA MARÇAL








CATEQUESE PARA FRANCISCO
QUARTA-FEIRA, 04 DE DEZEMBRO DE 2013
CREIO NA RESSURREIÇÃO DA CARNE.
CERTEZA DE RESSUSCITAR EM CRISTO
PRAÇA SÃO PEDRO VATICANO
BOLETIM DA SANTA SÉ
TRADUÇÃO : JÉSSICA MARÇAL
FONTE: CANÇÃO NOVA

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje retorno ainda com a afirmação “Creio na ressurreição da carne”. Trata-se de uma verdade não simples e longe de ser óbvia, porque, vivendo imersos neste mundo, não é fácil compreender as realidades futuras. Mas o Evangelho nos ilumina: a nossa ressurreição está estreitamente ligada à ressurreição de Jesus; o fato de que Ele ressuscitou é a prova de que existe a ressurreição dos mortos. Gostaria, então, de apresentar alguns aspectos que dizem respeito à relação entre a ressurreição de Cristo e a nossa ressurreição. Ele ressuscitou e porque Ele ressuscitou também nós ressuscitaremos.

Antes de tudo, a própria Sagrada Escritura contém um caminho para a fé plena na ressurreição dos mortos. Esta se exprime como fé em Deus criador de todo o homem – alma e corpo – e como fé em Deus libertador, o Deus fiel à aliança com o seu povo. O profeta Ezequiel, em uma visão, contempla os sepulcros dos deportados que são re-abertos e os ossos secos voltando a viver graças à infusão de um espírito vivificante. Esta visão exprime a esperança na futura “ressurreição de Israel”, isso é, no renascimento do povo dizimado e humilhado. (cfr Ez 37,1-14).

Jesus, no Novo Testamento, cumpre esta revelação, e liga a fé na ressurreição à sua própria pessoa e diz: “Eu sou a ressurreição e a vida” (Jo 11, 25). De fato, será Jesus o Senhor que ressuscitará no último dia quantos acreditaram Nele. Jesus veio entre nós, fez-se homem como nós em tudo, exceto no pecado; deste modo, levou-nos consigo em seu caminho de retorno ao Pai. Ele, o Verbo encarnado, morto por nós e ressuscitado, doa aos seus discípulos o Espírito Santo como penhor da plena comunhão no seu Reino glorioso, que esperamos vigilantes. Esta espera é a fonte e a razão da nossa esperança: uma esperança que, se cultivada e protegida – a nossa esperança, se nós a cultivamos e a protegemos – torna-se luz para iluminar a nossa história pessoal e também a história comunitária. Recordemos isso sempre: somos discípulos d’Aquele que veio, vem todos os dias e virá no final. Se conseguirmos ter mais presente essa realidade, estaremos menos cansados do cotidiano, menos prisioneiros do efêmero e mais dispostos a caminhar com coração misericordioso na via da salvação

Um outro aspecto: o que significa ressuscitar? A ressurreição de todos nós virá no último dia, no fim do mundo, por obra da onipotência de Deus, O qual restituirá a vida ao nosso corpo reunindo-o à alma, em força da ressurreição de Jesus. Esta é a explicação fundamental: porque Jesus ressuscitou, nós ressuscitaremos; nós temos a esperança na ressurreição porque Ele nos abriu a porta para esta ressurreição. E esta transformação, esta transfiguração do nosso corpo é preparada nesta vida de relacionamento com Jesus, nos Sacramentos, especialmente na Eucaristia. Nós, que nesta vida somos alimentados pelo seu Corpo e Sangue, ressuscitaremos como Ele, com Ele e por meio Dele. Como Jesus ressuscitou com o seu próprio corpo, mas não retornou a uma vida terrena, assim nós ressurgiremos com os nossos corpos que serão transfigurados em corpos gloriosos. Mas isto não é uma mentira! Isto é verdade. Nós acreditamos que Jesus ressuscitou, que Jesus está vivo neste momento. Mas vocês acreditam que Jesus está vivo? E se Jesus está vivo, vocês pensam que nos deixará morrer e não nos ressuscitará? Não! Ele nos espera, e porque Ele ressuscitou, a força da sua ressurreição ressuscitará todos nós.

Um último elemento: já nesta vida, temos em nós uma participação na Ressurreição de Cristo. Se é verdade que Jesus nos ressuscitará no fim dos tempos, é também verdade que, por um certo aspecto, com Ele já ressuscitamos. A vida eterna começa já neste momento, começa durante toda a vida, que é orientada para aquele momento da ressurreição final. E já ressuscitamos, de fato, mediante o Batismo, fomos inseridos na morte e ressurreição de Cristo e participamos da vida nova, que é a sua vida. Portanto, à espera do último dia, temos em nós mesmos uma semente de ressurreição, aquela antecipação da ressurreição plena que receberemos por herança. Por isto, o corpo de cada um de nós é ressonância de eternidade, então deve ser sempre respeitado; e, sobretudo; deve ser respeitada e amada a vida de quantos sofrem, para que sintam a proximidade do Reino de Deus, daquela condição de vida eterna para a qual caminhamos. Este pensamento nos dá esperança: estamos em caminho rumo à ressurreição. Ver Jesus, encontrar Jesus: esta é a nossa alegria! Estaremos todos juntos – não aqui na praça, mas em outro lugar – mas alegres com Jesus. Este é o nosso destino!




CATEQUESE PARA FRANCISCO
QUARTA-FEIRA, 18 DE DEZEMBRO DE 2013
NATAL, “DEUS ESTÁ CONOSCO”.
NA CERTEZA DA PRESENÇA DE 
DEUS EM MEIO AOS HOMENS, 
MOTIVO DE ESPERANÇA CRISTÃ.
PRAÇA SÃO PEDRO VATICANO
BOLETIM DA SANTA SÉ
TRADUÇÃO : JÉSSICA MARÇAL
FONTE: CANÇÃO NOVA

Queridos irmãos e irmãs bom dia,
Este nosso encontro se desenvolve no clima espiritual do Advento, tornado ainda mais intenso pela Novena do Santo Natal, que estamos vivendo nestes dias e que noz conduz às festas natalícias. Por isso, hoje gostaria de refletir convosco sobre o Natal de Jesus, festa da confiança e da esperança, que supera a incerteza e o pessimismo. E a razão da nossa esperança é esta: Deus está conosco e confia ainda em nós. É generoso este Deus Pai! Ele vem morar com os homens, escolhe a terra como sua morada para estar junto ao homem e fazer-se encontrar lá onde o homem passa os seus dias na alegria ou na dor. Portanto, a terra não é mais somente um “vale de lágrimas”, mas é o lugar onde o próprio Deus colocou a sua tenda, é o lugar do encontro de Deus com o homem, da solidariedade de Deus com os homens.
Deus quis partilhar a nossa condição humana ao ponto de fazer-se uma só coisa conosco na pessoa de Jesus, que é verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Mas há algo ainda mais surpreendente. A presença de Deus em meio à humanidade não foi realizada de modo ideal, sereno, mas neste mundo real, marcado por tantas coisas boas e ruins, marcado por divisões, maldade, pobreza, prepotência e guerras. Ele escolheu habitar a nossa história assim como ela é, com todo o peso de seus limites e dos seus dramas. Assim fazendo, demonstrou de modo insuperável a sua inclinação misericordiosa e repleta de amor para com as criaturas humanas. Ele é o Deus-conosco; Jesus é Deus-conosco. Vocês acreditam nisso? Façamos juntos esta profissão: Jesus é Deus-conosco! Jesus é Deus-conosco desde sempre e para sempre conosco nos nossos sofrimentos e nas dores da história. O Natal de Jesus é a manifestação de que Deus colocou-se de uma vez por todas do lado do homem, para nos salvar, para nos levantar do pó das nossas misérias, das nossas dificuldades, dos nossos pecados.
Daqui vem o grande “presente” do Menino de Belém: Ele nos traz uma energia espiritual, uma energia que nos ajuda a não nos abatermos com os nossos cansaços, os nossos desesperos, as nossas tristezas, porque é uma energia que aquece e transforma o coração. O nascimento de Jesus, de fato, nos traz a bela notícia de que somos amados imensamente e singularmente por Deus, e este amor não somente o faz conhecer, mas o doa, comunica-o!
Da contemplação alegre do mistério do Filho de Deus nascido por nós, podemos tirar duas considerações.
A primeira é que se no Natal Deus se revela não como um que está no alto e que domina o universo, mas como Aquele que se rebaixa, vem à terra pequeno e pobre, significa que para sermos similares a Ele nós não devemos nos colocar sobre os outros, mas antes rebaixar-nos, colocarmo-nos a serviço, fazer-nos pequenos com os pequenos e pobres com os pobres. Mas é uma coisa ruim quando se vê um cristão que não quer rebaixar-se, que não quer servir. Um cristão que se exibe sempre é ruim: aquele não é cristão, aquele é pagão. O cristão serve, rebaixa-se. Façamos com que estes nossos irmãos e irmãs não se sintam nunca sozinhos!
A segunda consequência: se Deus, por meio de Jesus, envolveu-se com o homem a ponto de tornar-se como um de nós, quer dizer que qualquer coisa que fizermos a um irmão ou a uma irmã a teremos feito a Ele. Recordou isso o próprio Jesus: quem tiver alimentado, acolhido, visitado, amado um dos mais pequeninos e dos mais pobres entre os homens, terá feito isso ao Filho de Deus.
Confiemo-nos à materna intercessão de Maria, Mãe de Jesus e nossa, para que nos ajude neste Santo Natal, agora próximo, a reconhecer na face do nosso próximo, especialmente das pessoas mais frágeis e marginalizadas, a imagem do Filho de Deus feito homem.






CATEQUESE PARA FRANCISCO
QUARTA-FEIRA, 08 DE DEZEMBRO DE 2013
FESTA DA IMACULADA CONCEIÇÃO DE
MARIA, MÃE DE JESUS E NOSSA.
PRAÇA SÃO PEDRO VATICANO
BOLETIM DA SANTA SÉ
TRADUÇÃO : JÉSSICA MARÇAL
FONTE: CANÇÃO NOVA






CATEQUESE PARA FRANCISCO
QUARTA-FEIRA, 08 DE DEZEMBRO DE 2013
FESTA DA IMACULADA CONCEIÇÃO DE
MARIA, MÃE DE JESUS E NOSSA.
PRAÇA SÃO PEDRO VATICANO
BOLETIM DA SANTA SÉ
TRADUÇÃO : JÉSSICA MARÇAL
FONTE: CANÇÃO NOVA


















CONVOCAÇÃO PAPA FRANCISCO - OUTUBRO





CONVOCAÇÃO
PAPA FRANCISCO CONVOCA SÍNODO SOBRE A FAMÍLIA PARA 2014
5 A 19 DE OUTUBRO DE 2014
O Papa Francisco convocou nesta terça-feira, 8, a 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, com o título: “Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização”.
O Sínodo será no Vaticano, de 5 a 19 de outubro de 2014 e seu novo secretário é Dom Lorenzo Baldisseri, nomeado por Francisco em 21 de setembro passado. Dom Lorenzo foi Núncio Apostólico no Brasil de 2002 a 2012, quando se tornou Secretário da Congregação para os Bispos, chamado por Bento XVI. O arcebispo foi também secretário do Conclave que elegeu Papa Francisco.
Em recente entrevista, o Diretor da Sala de Imprensa, padre Federico Lombardi, adiantou que a Secretaria do Sínodo divulgará em breve informações detalhadas sobre o modo em que o Sínodo será realizado e as modificações em seu regulamento.
Sínodo dos Bispos é uma reunião de vários dias, convocada pelo Papa, com Bispos convidados do mundo todo, para tratar de determinado assunto da Igreja, de doutrina ou de pastoral (família, Eucaristia, sacerdotes, etc).
Há os Sínodos ordinários a cada quatro anos e os extraordinários que o Papa convoca a qualquer tempo. Após o Sínodo, o Papa emite um documento chamado Exortação Apostólica, na qual resume e aprova as principais conclusões às quais os Bispos chegaram durante as reuniões.